Projeto coordenado por Marcela Rodrigues Machado recebeu R$ 1 milhão da FAPDF e está em fase de validação em laboratório (TRL 4)

Foto: Acervo do projeto

A novidade pode facilitar tarefas simples do dia a dia de quem tem Parkinson: pesquisadores da Universidade de Brasília trabalham em um dispositivo vestível que reduz tremores e permite monitoramento contínuo dos movimentos, uma notícia relevante no contexto do Dia Mundial do Parkinson, celebrado em 11 de abril.

O equipamento age sobre frequências específicas dos tremores, funcionando como um filtro que diminui a intensidade dos movimentos involuntários sem atrapalhar ações voluntárias. Sensores integrados capturam padrões de movimento, gerando dados que podem ser úteis para acompanhar a evolução da doença e subsidiar decisões clínicas.

A tecnologia combina metamateriais — estruturas projetadas para responder a vibrações — com elementos piezoelétricos, que transformam movimento em energia elétrica. Esse aproveitamento da própria oscilação do corpo pode alimentar parte do sistema, aumentando a eficiência do protótipo.

O projeto é coordenado pela professora Marcela Rodrigues Machado, do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Tecnologia da UnB, e recebeu R$ 1 milhão da Fundação de Apoio à Pesquisa do DF (FAPDF) por meio da chamada BIO Learning (Programa FAPDF Learning, 2023). O investimento foi usado na compra de equipamentos, estruturação de laboratório e formação da equipe.

Atualmente a solução está no nível TRL 4 — validação em laboratório — e os testes iniciais já mostram redução significativa das vibrações, inclusive em faixas de baixa frequência, que costumam ser mais difíceis de controlar. A equipe pretende avançar para os níveis TRL 5 e 6, com ensaios mais complexos rumo à aplicação prática; pedidos de patente também foram protocolados.

Além de buscar maior estabilidade para a rotina dos pacientes, o projeto aposta numa alternativa mais leve, adaptável e programável que as órteses tradicionais, sem limitar tanto os movimentos voluntários. O trabalho também serve como ambiente de formação para estudantes de graduação e pós-graduação envolvidos no desenvolvimento dos protótipos.