Uma nova sala de acolhimento inaugurada nesta sexta-feira (26) no Centro Integrado de Operações de Brasília (Ciob) passa a funcionar como espaço permanente de atendimento às mulheres vítimas de violência doméstica, ao mesmo tempo em que o Programa Viva Flor foi ampliado para seis delegacias do DF, permitindo que vítimas saiam da delegacia já incluídas no sistema de proteção.

A Sala Lilás está integrada à estrutura do Ciob e funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. O espaço oferece atendimento reservado e humanizado no momento do registro da ocorrência e foi apresentado pela Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF) durante a solenidade de inauguração.

O Viva Flor passa a ser ofertado nas seis delegacias: 8ª DP (Cidade Estrutural), 21ª DP (Taguatinga Sul), 26ª DP (Samambaia), 33ª DP (Santa Maria), 35ª DP (Sobradinho) e 30ª DP (São Sebastião). O serviço já estava disponível nas Deams I e II e nas delegacias da 6ª DP (Paranoá), 16ª DP (Planaltina), 18ª DP (Brazlândia), 20ª DP (Gama) e 27ª DP (Recanto das Emas), conforme a SSP-DF.

A inclusão no Viva Flor pode ser solicitada imediatamente durante o registro da ocorrência na delegacia. O monitoramento funciona por aplicativo com botão de emergência instalado no celular e, quando o aparelho não é compatível, é disponibilizado um Dispositivo de Proteção à Pessoa (DPP). O acionamento recebe prioridade máxima no Ciob, que envia equipes da PMDF de forma imediata.

A escolha das novas unidades considerou estudos técnicos da SSP-DF que identificaram regiões com maior incidência de violência doméstica e a necessidade de descentralizar o acesso às tecnologias de proteção, segundo a secretaria. Desde 2018, 3.276 mulheres já foram atendidas pelas tecnologias de proteção da SSP-DF e atualmente 2.031 permanecem vinculadas ao programa, dados informados pela SSP-DF (Agência Brasília). A secretaria também informa que nenhuma mulher assistida pelo Viva Flor foi vítima de feminicídio enquanto esteve sob proteção do programa.

“Temos um programa que salva vidas, mas entendemos que a tecnologia, por si só, não basta. Era preciso garantir que as mulheres fossem acolhidas com dignidade, privacidade e respeito no momento em que mais precisam do Estado. A Sala Lilás nasce com esse propósito e a expansão do Viva Flor para mais delegacias aproxima essa proteção das vítimas, permitindo que elas saiam da unidade policial já amparadas. São avanços construídos a partir da escuta das mulheres e do compromisso permanente de aperfeiçoar as políticas públicas de enfrentamento à violência contra a mulher”. , Alexandre Patury, secretário de Segurança Pública do Distrito Federal.

Durante a cerimônia, uma mulher beneficiária do programa relatou sua experiência com o dispositivo de emergência: “No dia em que acionei o Viva Flor, achei que não sairia viva. A Polícia Militar chegou em questão de segundos e mudou a minha história. Hoje eu consigo sair de casa com meus filhos sabendo que, se eu precisar, o Estado estará ao meu lado. Esse programa me devolveu a segurança, a liberdade e a esperança de recomeçar.”

A inauguração contou com representantes da Secretaria da Mulher, do Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra as Mulheres do Núcleo Bandeirante, da Defensoria Pública do DF e da PMDF, entre eles Jackeline Aguiar, Ana Paula Habka, Rômulo Palhares, Ben-Hur Viza, Antônia Carneiro e Regilene Siqueira, em uma ação que busca integrar atendimento policial, jurídico e social.

Na prática, a medida reduz o tempo entre o registro da denúncia e a ativação dos mecanismos de proteção, permitindo que vítimas deixem a delegacia com o monitoramento ativo e acesso a orientação jurídica, psicológica e assistência social por meio de parcerias institucionais. A Sala Lilás também conta com brinquedoteca para atender crianças que acompanham as vítimas durante o acolhimento.