A Operação Ecossistemas do Cobre, deflagrada pela PCDF nesta quinta-feira (25), mira grupos investigados por receptação, comercialização e regularização fraudulenta de fios de cobre. A ação é conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Ordem Tributária.
A investigação aponta dois núcleos criminosos ligados à mesma cadeia econômica. O primeiro é investigado por receptação e venda de cobre proveniente de furtos de cabos no DF. Pessoas físicas e jurídicas ligadas ao comércio de sucatas e reciclagem de metais teriam recebido mais de R$ 45,5 milhões em menos de um ano de uma empresa de fachada em Tocantins, sem emissão de notas fiscais que justificassem os pagamentos.
O segundo núcleo usava 21 empresas “noteiras” do DF, nove delas autuadas pela Receita do DF. Segundo a PCDF, essas empresas estavam registradas em nome de laranjas e não tinham estrutura física, empregados ou contas bancárias, mas emitiram mais de R$ 1,4 bilhão em notas fiscais para a mesma empresa de fachada tocantinense.
Os documentos fiscais eram usados para dar aparência de origem lícita ao cobre e gerar créditos tributários fraudulentos. A empresa de Tocantins também emitia novas notas fiscais, principalmente para uma grande empresa do setor metalúrgico e de condutores elétricos em Minas Gerais.
A PCDF informou que mais de 73% das notas fiscais emitidas pela empresa tocantinense foram destinadas à companhia mineira. Somente em 2021, os investigadores identificaram 212 notas fiscais, no valor aproximado de R$ 97,1 milhões.
A investigação também cita movimentação de mais de R$ 1,8 bilhão em conta bancária no período de 11 meses, entre 2023 e 2024, além de saques em espécie de mais de R$ 25,5 milhões feitos pelo operador da empresa de fachada.
A Justiça autorizou o sequestro de bens, direitos e valores que somam R$ 239.239.935,31, considerando crimes tributários e lavagem de dinheiro. A operação cumpre 26 mandados de busca e apreensão no DF, em Minas Gerais, Tocantins e Paraná.
Participam da ação 45 policiais do DF, com apoio das Polícias Civis de Minas Gerais e Tocantins. Os investigados podem responder, conforme a participação individual, por organização criminosa, crimes tributários, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.