Projeto Phibra da UnB, financiado pela FAPDF, realiza escavações em Unaí e forma novos pesquisadores
| Divulgação/FAPDF |
Se você circula pelo DF, é bom saber: a história ocupacional da região vai muito além da criação de Brasília e já deixa evidências materiais que mudam a forma como moradores e gestores veem o patrimônio local. As escavações ligadas ao projeto Phibra trazem à tona vestígios que mostram ocupação indígena no DF e no Entorno há milhares de anos, um dado que impacta preservação e educação cultural na região.
O Arqueologia e História Indígena no Brasil Central (Phibra) é coordenado pelo professor Luis Cayón, do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB), e recebeu recursos por meio do edital Demanda Espontânea (2024) da Fundação de Apoio à Pesquisa do DF (FAPDF). Segundo Cayón, o apoio da FAPDF foi determinante para ampliar as escavações, as análises laboratoriais e a formação de estudantes e pesquisadores: “Sem o fomento da FAPDF, o Phibra não teria a escala e o impacto que tem hoje, especialmente na formação de novos pesquisadores na região.”
As intervenções se concentram em sítios do Entorno, com destaque para a Gruta do Gentio II, em Unaí (Minas Gerais). No local, a equipe encontrou ossos humanos, objetos, sementes, cerâmicas e tecidos que ajudam a reconstruir aspectos da vida cotidiana desses grupos ao longo de milênios. Além das escavações, os pesquisadores documentam pinturas rupestres que podem indicar registros temporais, possivelmente relacionados a calendários solares.
O projeto é de pesquisa básica (níveis iniciais de maturidade tecnológica TRL 1 a 3) e adota uma abordagem interdisciplinar: análises genéticas, geoquímicas e estudos de solo são usados para entender dieta, práticas de ocupação e relações entre grupos. As evidências apontam para uma alimentação baseada em tubérculos, frutos e sementes do Cerrado, complementada pela caça de animais de pequeno e médio porte.
Além da produção acadêmica, o Phibra opera como sítio-escola, aproximando estudantes e comunidades locais das práticas arqueológicas. A iniciativa transforma o campo em espaço de ensino e construção coletiva do saber, fortalecendo vínculos com o patrimônio e formando moradores como guardiões da própria história — um efeito prático que se reflete em ações de educação patrimonial e na ampliação do conhecimento sobre a presença indígena no DF.
