O centro de Taguatinga passou por uma das maiores mudanças de mobilidade do DF com o Túnel Rei Pelé, que completou três anos nesta sexta-feira (5). Inaugurada em 5 de junho de 2023, a passagem subterrânea recebeu investimento de R$ 275 milhões e ajudou a reduzir um dos pontos de congestionamento mais conhecidos da região.
O túnel liga a Avenida Elmo Serejo à Estrada Parque Taguatinga (EPTG) e faz parte do Corredor Eixo Oeste. São três faixas em cada sentido, enquanto a parte superior foi reorganizada com o boulevard, que reúne calçadas acessíveis, estacionamentos, ciclovia, iluminação, paisagismo e faixas exclusivas para ônibus.
Para quem circula diariamente por Taguatinga, a principal mudança foi a separação dos fluxos. Carros passaram a seguir pela passagem subterrânea, enquanto ônibus e pedestres ganharam circulação organizada na superfície, em um trecho que antes reunia deslocamentos de várias regiões do DF no mesmo espaço.
O administrador regional Ezequias Pereira da Silva lembra que o problema do centro da cidade era a concentração de veículos, ônibus e pedestres em um trecho curto. Segundo ele, a obra reorganizou a passagem entre Taguatinga, Ceilândia, Samambaia e outras cidades próximas.
A aposentada Guilhermina Pereira de Macedo, de 60 anos, mora no DF há mais de quatro décadas e afirma que a rotina de quem anda a pé pela área ficou mais segura. Antes da obra, atravessar as pistas exigia atenção redobrada, principalmente para idosos e crianças.
O impacto também aparece no comércio. Geraldo César de Araújo, lojista em Taguatinga há 38 anos, avalia que o túnel melhorou o fluxo de veículos e deixou a região central mais organizada para quem trabalha, compra ou passa pela cidade.
O boulevard também trouxe mudanças visíveis à paisagem. A Novacap implantou cerca de 15 mil m² de grama, canteiros com 8 mil flores, 150 arbustos e 35 ipês, além de áreas de convivência, ciclovia, iluminação e estacionamentos reorganizados.
A estudante Alessandra Dalva Almeida de Oliveira, de 16 anos, passa com frequência pela região e diz que as faixas de pedestres, as paradas e a iluminação ficaram melhor posicionadas. A mãe dela, Ilene Batista de Almeida, que trabalha como segurança e estuda na região, também aponta a separação das vias como o principal ganho.
A estrutura tem monitoramento 24 horas por dia pela Central de Controle Operacional. Ao todo, 20 câmeras acompanham o interior do túnel e os acessos, com imagens transmitidas em tempo real para agentes responsáveis por acionar equipes em caso de acidente, pane ou outra ocorrência.
O esquema conta com apoio de órgãos de trânsito e segurança, agentes de plantão e guincho de prontidão. As câmeras também ajudam a identificar circulação irregular de pedestres, ciclistas, ônibus e caminhões dentro da passagem subterrânea.