Boletim do Cerest com dados do Sinan registra 2.254 notificações entre 2015 e 2025 e reforça medidas de prevenção
| Sandro Araújo/Agência Saúde DF |
Quem trabalha no DF precisa atenção: em 2025 foram notificadas 1.744 ocorrências de lesões por esforço repetitivo (LER) e distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (Dort) na rede pública, número que pode se traduzir em mais afastamentos e queda na qualidade de vida se medidas não forem adotadas.
Os dados constam no Informe Epidemiológico em Saúde do Trabalhador divulgado pela Secretaria de Saúde (SES-DF) por meio do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), com base no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). No total, entre 2015 e 2025 foram registradas 2.254 notificações, sendo que as 1.744 de 2025 representam 43,9% do período apurado.
A diretora de Saúde do Trabalhador da SES-DF, Elaine Morelo, ressalta que as ações educativas e de vigilância vêm aumentando a identificação correta dos casos. “A conscientização da população sobre acidentes de trabalho é fundamental para a promoção, prevenção e vigilância da saúde do trabalhador”, afirmou, destacando também o trabalho de busca ativa dos Cerests e dos núcleos de vigilância epidemiológica hospitalar.
Os sintomas mais relatados incluem dores crônicas, formigamento, dormência e fadiga muscular. Entre os fatores de risco estão movimentos repetitivos, postura inadequada, esforço físico intenso, tempo insuficiente para recuperação e aspectos psicossociais como estresse e assédio. O diagnóstico parte do histórico ocupacional associado à avaliação clínica; as queixas mais frequentes no DF são dorsalgia, dor articular, tendinite e lesões no ombro.
O boletim também aponta grupos mais afetados: o trabalho doméstico responde por cerca de 10% das notificações, enquanto a construção civil — com destaque para pedreiros — representa 6,7% dos registros. Para reduzir o impacto, a SES-DF recomenda pausas regulares, adequação ergonômica dos postos, redução de movimentos repetitivos e incentivo à atividade física; empresas e governo têm papel chave em políticas, fiscalização e melhoria das condições de trabalho.
